domingo, 16 de julho de 2017

Halo Jones

A BALADA DE HALO JONES - MOORE & GIBSON
Digitalização e Tratamento: Outsider The Z/HORDA Comics

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"Os anos 80 foram, sem dúvida, a época mais prolífica de Alan Moore. Da distopia Orwelliana à desconstrução do super-herói, da homenagem ao horror à fábula fashion, o roteirista cobriu diversos estilos e gêneros. Não seria de estranhar que, sendo tão prolífico e variado, o escritor tentasse algo completamente fora do tradicional em uma revista tão voltada para a violência gráfica quanto a 2000AD. 

Em se tratando de uma antologia de ficção científica cujo personagem principal era o prototípico Juiz Dredd, o surgimento de uma protagonista física e emocionalmente frágil inserida numa trama de cinco páginas por mês levava a um ritmo próximo de uma telenovela, com cliffhangers ("ganchos") em sucessão.

Halo Jones é, talvez, a primeira heroína de uma série de ícones femininos - nascidas da pena de Moore, que incluiriam mais tarde sua revisão de Mina Murray de Bram Stoker, na série A Liga Extraordinária, e Promethea. 

Apesar da aparente imobilidade, ela evolui de uma guria de 17 anos que faz pouco além de frequentar shoppings a uma garçonete interestelar  envolvida numa trama político-policial e, finalmente, uma militar balzaquiana, soldado profissional numa guerra onde os papéis principais são eminentemente vividos por mulheres. 

Temas como zumbis massificados por música pop, moda provocando revoltas e a invisibilidade dos impopulares sucedem na velocidade de cinco ou seis quadros por página, sobrepostos nem sempre num ritmo previsível por outros assunto que provocam uma imersão do leitor, muitas vezes exigindo alguns minutos de reflexão embalados pelo traço longilíneo e hachurado de Ian Gibson.

Os três capítulos de A Balada de Halo Jones, com sua diagramação pouco homogênea, tem as características de de uma obra produzida 'no calor do momento', apresentando perceptíveis alterações de roteiro provocadas por palpites editoriais e pressões do público. Moore admitiu que aumentou o nível de ação  no segundo capítulo a pedido dos editores, respondendo a uma exigência dos fãs, o que levou a uma perceptível mudança no perfil da protagonista, e existem rumores que a série deveria continuar  até um hipotético livro 10, onde Halo Jones fecharia um ciclo, retornando às origens. 

Porém, em seu formato atual, a saga de Halo Jones pode ser considerada um libelo em prol do livre-arbítrio, do 'faze o que tu queres', com a heroína traçando  seu caminho sem jamais olhar sobre os ombros. 

Se lembrarmos da condição de eremita de Alan Moore, não deixa de ser uma ironia que essa moça pequena e perdida, um soldado que não conhece lar fora das trincheiras de supergravidade, acabe se tornando um arauto de diversos temas que assombrariam seu criador nos trinta anos seguintes após sua última publicação."




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