sábado, 10 de maio de 2014

Camelot 3000


CAMELOT 3000 - 3a. VERSÃO DOS SCANS
Em comemoração dos 30 Anos da sua Publicação no Brasil
Scans dedicados á minha amiga Nayane R.


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Sinopse: Em agosto desse ano, Camelot 3000 completará 30 anos da publicação de seu primeiro capítulo, aqui no Brasil. Isso aconteceu na revista Batman #2, da Editora Abril. Além de ser a nova detentora dos direitos dos personagens da DC Comics, a editora, já no segundo número do herói mais popular da casa, lança o início desta saga que marcou minha vida como leitor de quadrinhos. Eu tinha meus 15 anos completos, na época. Desde os 11 anos ja tinha responsabilidades de adulto, mas aos 15 ainda era uma criança. Talvez as histórias mais adultas que tenha lido até então devem ter sido as de Conan, o Bárbaro. Mesmo assim, nada havia me preparado para Camelot 3000. Apesar de ser, basicamente uma história de super-heróis vestida das lendas de Rei Arthur, ainda assim havia coisas ali que eu não esperava encontrar num gibi formatinho, como um cavaleiro transexual e cenas de lesbianismo subentendidas. Eram subentendidas porque, como eu soube anos depois, a editora Abril cortou cenas e editou páginas inteiras. Ma o subtexto estava lá, qualquer um entendia o que estava acontecendo naquela bodega!

Somente neste encadernado que aqui se encontra - o terceiro com a série compilada - é que fui entender porque esta HQ era tão avançada para os quadrinhos de super-heróis da época. Uma introdução do autor, Mike W. Barr esmiuça tudo que aconteceu até ela estar pronta e uma das coisas que ele deixa claro é que Camelot 3000 foi vendida pelo mercado direto - as comic shops, que começavam a nascer - e sem o selo do Comics Code Authority, que tanto limitava a imaginação dos criadores.

Porém, aqui no Brasil, ela saiu nas bancas, dentro da revista Batman e, em seguida, na Superamigos. Tínhamos assim, lesbianismo e aventuras do Homem-Morcego, na mesma edição. Mas, a HQ não me marcou apenas porque um dos cavaleiros da Távola Redonda reencarnava em um corpo de mulher, ou porque mostrava o Rei Arthur matando bebês (não lembro se editaram isso), entre tantas outras coisas. Me marcou porque era muito bem escrita e desenhada. A partir dali eu nunca esqueceria o nome Brian Bolland.

A ação era quase ininterrupta, intercalada por momentos tensos ou singelos, como a busca pela Santo Graal, esta feita em um único capítulo. Os personagens são cativantes e o leitor é colocado no meio da ação, na pele do jovem Tom Prentice, que vive os dramas e, assim como nós, quer que as coisas terminem do melhor modo possível. Mas, nem sempre é assim.

Desde Merlin, passando por Arthur até Morgana Le Fay e Mordred, os personagens são pura força, honra ou maldade. A invasão alienígena a qual o Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda voltam à vida para dizimar, é o pretexto perfeito para que uma aventura grandiosa se descortine diante de nossos olhos.

Eu posso estar errado mas, a meu ver, Camelot 3000, com sua ousadia que seria testada apenas no mercado direto, em edições limitadas, foi a porta de entrada, o teste final, para saber se o público estava preparado para o que veio depois, como Batman: O Cavaleiro das Trevas, Batman: A Piada Mortal, Watchmen e etc. Iniciada em 1982, só terminou em 1985, devido a atrasos constantes. Mas, mostrou que quadrinhos podiam ser adultos, tanto quanto o eram há muito tempo as HQs européias.

Camelot 3000 também foi importante para o Rapadura Açucarada. Foi a primeira HQ de peso a ser escaneada nos primórdios do blog. Consegui a série encadernada em três volumes, em formatinho ainda. Apenas em 2005 ela seria publicada, sem cortes, num encadernado único, pela editora Mythos. E, em 2010, pela editora Panini, em papel couché, com a introdução de Mike W. Barr e alguns extras, que é a edição aqui em questão.

Por ser tão importante para mim, não poderia deixar de digitalizar uma terceira vez, para melhorar a qualidade. Muito mais do que Watchmen, muito mais do que Planetary, Camelot 3000 é minha HQ preferida de todos os tempos. E não se trata dela ser melhor ou não do que as que citei. É simplesmente pelo fato de que ela foi a HQ que estava lá, quando eu deixava de ser criança, para me tornar um homem. E, era como se os quadrinhos estivessem fazendo essa transição junto comigo. Eu deixava de ser apenas um escudeiro, para me tornar um cavaleiro.


4 comentários:

flavio disse...

Valeu por mais uma Edição de Camelot, Eudes. Ele talvez seja também meu personagem predileto da DC. E essa Postagem é mais do que uma boa desculpa para reler a série.Muito Obrigado e parabéns!

Marcelo disse...

Caro Eudes, nunca li Camelot 3000, mas se a sua postagem não me fizer ler, nada o fará!

Simplesmente magistral, magistral.

Cal Duran disse...

Eudes, assim como vc, Camelot 3000 na minha opinião consiste de uma obra sem igual e que me marcou profundamente, essa era a HQ que eu esperava todos os meses para ler. Adorei o post e obrigado pela 3ª versão da obra, parabéns nobre cavaleiro!

Anônimo disse...

Meus parabéns Eudes Honorato, conheço Camelot 3000 deste de minha adolescência. Cheguei a comprar a edição completa da aventura, contudo emprestei e nunca mais recebi de volta. Agora vc nos presenteia com essa pela obra. Os meus sincero obrigado. Marco Peixoto